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domingo, 22 de agosto de 2010

Onde estão os bons?

Impossível não continuar falando de política nessa fase. Desculpem a overdose. Falta pouco para as eleições, e esse é o momento para quem sabe, através de saturar os sentidos, regurgitar serenas decisões para o momento da urna.

Que momento esse, não? Que nome pôr? Quem se salva? Lembro-me de uma eleição – em 1986, uma das primeiras abertas no final da ditadura - quando Antônio Ermírio de Morais foi candidato ao governo do Estado de São Paulo. Eu sempre confiei nele. Achava-o um desses baluartes brasileiros de integridade e eficiência, alguém que tem muito a – e pode - contribuir para trazer o país ao desenvolvimento que ainda acho ser sua vocação. Mesmo considerando o fato dele ser um empresário, o que sem dúvida o coloca dentro do grupo que precisa fazer e aceitar algumas iniqüidades para sobreviver, ainda assim suas declarações foram sempre brutalmente honestas, do tipo “doa a quem doer”, sérias, responsáveis, cívicas (essa é a palavra!) de alguém que não precisava agradar ninguém. E mesmo assim – sem precisar agradar ninguém - suas indústrias progrediam e ele multiplicava empregos aos seus concidadãos. Em entrevistas daquela época, o Ermírio não se esquivava de compartilhar a bandalheira que era o jogo político. Para minha tristeza ele perdeu aquelas eleições para Orestes Quércia, e São Paulo perdeu o governador que merecia.

Tem sido assim, uma sequência de decepções a história política brasileira com raríssimas exceções. Fiquei muito orgulhosa, por exemplo, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente do Brasil. Estava fora do país nessa época, e vivia na pele o preconceito contra nossa cultura populista, relaxada, a cultura da bebidinha, da prainha, do sambinha, das mulheres eternamente seminuas retratadas nas praias brasileiras, a cultura dos brasileiros sempre atrasados, sempre dando e pedindo “um jeitinho”, a nossa política sempre pendendo, saindo de, ou quase entrando numa ditadura... De repente temos um professor doutor na presidência, alguém que causou ótima impressão no Exterior, e elevou a confiança dos estrangeiros no Brasil. O homem que plantou todas as sementes e os programas que o analfabeto atual se apropriou desavergonhadamente, enquanto carrega o Brasil para a humilhação pública internacional ao se aproximar de ditadores, assassinos travestidos em governantes (Hugo Chavez, Fidel Castro, e Ahmadinejad, entre outros).
Agora de volta ao Brasil, preparando-me para votar após quinze anos de ausência, pergunto-me onde estão aqueles conterrâneos que elegeram Fernando Henrique? Deve ter tido alguém com bom senso então. Claro que então havia um candidato, ao contrário de agora quando, tirando do páreo desde já a pilantra da Dilma, dá medo de que o Serra possa estar imerso além da salvação no jogo das fantasias e comprometimentos políticos, a Marina tadinha, pouco pode prometer ou fazer com seu discurso verde comprometido com uma religião de grande tendência manipuladora, enquanto o Plínio vem com aquele discurso amalucado comunista...não sobra ninguém.

Pois aqui vai uma sugestão: e se todos nós, com bom senso no coração, votássemos no Fernando Henrique? Que importa ele não ser candidato? Talvez se todos votarmos nele mostraremos que ainda existem mentes críticas e independentes no Brasil, ainda existem aqueles que acreditam na decência, na educação, no preparo, na visão de fundo, naquele que foi o melhor presidente que tivemos até agora. Mostraremos que não somos bobos, manipuláveis marionetes, que não temos que nos conformar com cafagestagem. Não estou dizendo que o Fernando Henrique foi perfeito. Mas chegou perto.

Pronto. Taí! Está lançada a candidatura popular do Fernando Henrique Cardoso. Meu voto é seu, professor!

sábado, 21 de agosto de 2010

Eu e a política

(Post nascido de um diálogo com a Dai sobre esse blog)

O que mata nos militantes políticos em geral é a falta de sobriedade:
Vê-se em dúzias de blogs por aí aquele tom deslumbrado, ufanista, chato, pior que os romances mela-cueca de novela mexicana: o militante trata o político "bola da vez" como se fosse um semi-deus, seus marqueteiros como arcanjos, e por aí vai.


Eu não assisti a propaganda eleitoral. Pode parecer coisa de gente elitista e de mente pequena, mas sinceramente, horário eleitoral, via de regra, é coisa pra fazer a cabeça de semi-analfabeto. É para quem não lê os jornais todos os dias ao longo de anos, nem acompanha o desenrolar político do país entre os meses de outubro dos anos pares, visando inclusive consolidar uma opinião de verdade sobre quem governa ou não essa terra de bananas.

Eu imagino o tom de "apelação" adotado pela maioria absoluta dos candidatos. Ou é a tradicional previsibilidade da época, ou sou eu adquirindo poderes especiais para adivinhar o que acontece dentro da caixinha preta que me recuso a ligar para outra coisa que não ver meus filmes ou jogar video game. Além do mais, minha antipatia pelo partido de situação é pública e notória.


Minha bronca com o PT é pela cara lavada. Como disse Jabor no texto "Os Grandes Arrepios": Lula se apropriou dos feitos de FHC. Numa espécie de mitomania esquizofrênica, e no melhor estilo de Joseph Goebbels, Lula repetiu sua versão mentirosa e maquiada dos fatos por sete anos, até que o povão a visse como verdade.

Nesse caso, não diferente de tantos outros nos quais os Maluf's da vida se elegem e reelegem (tendo ainda a capacidade de vir a público dizer "não há ficha no Brasil mais limpa que a minha"), conta-se muito com a memória curta do brasileiro - que mandou em 2006 ao Senado Federal o mesmo Fernando Collor de Mello que foi enxotado da Presidência da República em 1992;  que elege famílias inteiras de Sarneys, Rorizes e Magalhães, ou quando não elege, mantém-se passivo quando um desses usurpa o poder (como fez a Governadora Roseane recentemente).

Se não se lembram de quem é Fernando Collor, não me admira que também não se lembrem do outro Fernando. O que me causa estranheza é justamente a rejeição ao Fernando errado.

Se houvesse essa atenção à história, como o senhor do biscoito fino (huhu) andou declarando, certamente o presente seria diferente. Não me oponho à luta armada contra a ditadura, são os métodos apenas que me deixam apreensiva. Creio que é possível o uso da força, em alguns casos, até mesmo necessário. O que reprovo é a falta de discernimento. O mesmo discernimento que faltou aos católicos na lamentável "Marcha da Família com Deus para a Liberdade", faltou aos socialistas radicais em toda a sua existência.

Do longo trajeto da militância à rampa do Palácio do Planalto, não foi só a sobriedade etílica que faltou ao Lula e seus caporegimes. Faltou a sobriedade ética. Faltou ser razoável. O pensamento de que o Presidente da República pode fazer e dizer tudo o que quiser deveria ter morrido junto do regime militar, por se tratar de um conceito de insensatez gigantesca, e característico de um raciocínio ditatorial. Infelizmente, não é o único ponto no qual Luiz Inácio se aproxima daquilo que dizia combater.

A história mostra que a esquerda hoje sentada na cadeira mais alta de Brasília não é muito diferente da esquerda de Pyongyang ou Havana, nas cadeiras mais altas de países tão "república" no nome quanto o Brasil. Aqui havia a oposição ao governo militar, mas diante da oportunidade de uma transição para a democracia, deixaram de apoiar a única possibilidade de libertação porque o candidato não seria o deles.

O tempo mostra que a oposição ferrenha a Sarney, Collor, Calheiros, e tantos outros, se deu apenas porque os "picaretas com anél de doutor" não reservaram ao metalúrgico uma cadeira também. Com uma pequena bola de cristal, todos os poderosos de décadas atrás teriam dissolvido a esquerda brasileira oferecendo a Lula, José (que também virou Zé) Dirceu, Palocci, e tantos outros, algumas cadeiras em estatais, na câmara e no senado, e lhes antecipando o mensalão.

Vivemos em um país patético, que faz juz a todos os ditados que cria: "Todo político rouba", "Quem nunca comeu melado quando come se lambuza", "Todo mundo tem um preço", "O poder corrompe o homem", e assim por diante.

É lamentável.
Quando me deparo com esses fanáticos petistas, que são tão cegos e irredutíveis quanto os evangélicos neo-pentecostais e os defensores de linux, eu perco a fé na humanidade.

São todos casos perdidos, e só resta aos mais razoáveis lamentar pelos errantes serem numerosos o suficiente para manter nosso reino de enganados na lama da corrupção e ignorância.

Enquanto isso o "país do futuro", como sempre, vai ficando pra amanhã.