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sábado, 25 de setembro de 2010

Titica? Ah...Tiririca

Se não bastasse o programa de indicações que virou a propaganda eleitoral GRATUITA brasileira, ainda tenho que ouvir (e quase concordar) que a propaganda política está mais engraçada que muito programa humorístico por aí. No entanto, minha concordância fica no quase, porque se o que se apresenta lá são piadas, elas são de altíssimo mau gosto.

Cantores, jogadores, modelos (oi?) falidos tentam se eleger. Baseados em que? No serviço já prestado à sociedade? Queria mesmo saber o que a mulher-pêra contribuiu... na verdade, é melhor não saber. Agnaldo Timóteo, Kiko, Leandro, Marcelinho Carioca, Ronaldo Ésper, Mulher-pêra (que nem usa o nome verdadeiro, tamanha persona assumida) e... a lista é grande.

De todos os ilustres candidatos, o que mais sobressai, sem dúvida, é o Tiririca. E é sobre ele que eu quero falar.

A Folha de São Paulo publicou uma matéria a respeito de um gibi que o humorista está distribuindo em sua campanha. Nesse gibi ele emprega todos os jargões por ele usados em seus programas/shows, para - pasmem – tirar sarro de suas próprias propostas. Claro, o “propostas” ficou por minha conta porque na verdade ele não tem proposta nenhuma a não ser tentar descobrir o que um deputado faz.

Como não podia deixar de ser, tratando-se de quem é, as piadas são de péssimo gosto. Por exemplo, em uma das páginas do tal gibi (ah! Os gibis são distribuídos preferencialmente para as crianças, para que elas peçam para os pais votar no “abestado”) ele diz que não faz discriminação, e para exemplificar há o desenho dele chamando um rapaz, pressupostamente, gay de “menino bonito”. É uma lástima. Além de não apresentar nenhuma proposta, ele ainda ridiculariza os direitos sociais, com tanto esforço alcançados e ainda não adquiridos por completo, de idosos, gays e mulheres.

Votar no piadista não é nenhum protesto. Votar nele é dizer que qualquer um pode se candidatar, dizer que não pretende fazer nada, que não sabe quais são atribuições que o cargo ao qual ele pretende se eleger exerce, e que todas os direitos que a democracia zela para ele são ótimos motivos para piadas.

E ainda querem achar ruim o comentário que o Stallone fez?

Mas claro, não sou extremista o suficiente para não concordar com nada que o Tiririca fala, por exemplo, eu concordo muitíssimo com ele quando ele se afirma ser uma “abestado”. Opa, assino embaixo.

domingo, 29 de agosto de 2010

Cidadania & Accountability

O conceito de cidadania é a noção radical de que ao mesmo tempo em que pertencemos a uma cultura, a uma sociedade, a um país, temos simultaneamente direitos e deveres para com ele. Temos o direito de sermos protegidos e termos nossa propriedade salvaguardada contra destruição natural ou daquela promovida por criminosos ou invasores; temos o direito de acesso a educação, saúde e sanidade, trabalho, dignidade, e a participar das decisões que incluem nosso destino nelas. Por causa desse último particularmente é que podemos votar, e até precisaríamos participar mais em plebiscitos, consultas dos políticos com relação às leis que nos governam. Numa verdadeira democracia, os cidadãos votam em todas as instâncias em que alguma ação pública pode impactar sua vida diária. Por exemplo, o governo pensa em fazer o embelezamento (plantio de flores e árvores, pintar meio-fio, etc.) de uma grande avenida. Acontece que em volta daquela mesma avenida, no bairro ali em volta, há outros problemas que precisam de resolução. Por exemplo: o bairro precisa de mais uma escola, ou, há muitas ruas esburacadas, ou, não há linha de ônibus conectando o bairro ao centro da cidade. Numa democracia, uma vez que os gastos são feitos com o dinheiro do povo (que contribuímos compulsoriamente através dos impostos), o povo é quem tem que decidir, através de votação, plebiscito, plenário, de alguma maneira, o que é que prefere que seja feito: o embelezamento da avenida, ou o conserto dos buracos, ou a linha de ônibus. Não há dinheiro para tudo, mas há prioridades. Quem as decide é o povo. Esses são os direitos dos cidadãos.

A cidadania, entretanto, implica também em deveres. Essa parte costuma ficar um pouco esquecida aqui no Brasil, e até dá prá entender um pouco a razão. Acostumados à situação de “terra de ninguém”/ “salve-se quem puder”/ “o importante é levar vantagem em tudo, certo?” que isso aqui virou na mão de tantos e tantos políticos desonestos, que se protegem e enriquecem com o dinheiro e a propriedade pública enquanto abandonam a população que os elegeu, realmente estamos sempre pedindo e reclamando de algo que “eles” não fizeram. O “eles” (indeterminado, mas significando os poderosos, os governantes, o governo) estão sempre a fazer algo errado (em benefício próprio) ou a não fazer algo que precisa ser feito (geralmente algo que seria em benefício do povo ou do País). Não conseguimos nem imaginar o que mais que pode ser exigido de nós, os cidadãos, que já enriquecemos tanto todos os políticos, e tivemos tão pouco em retorno.

Na verdade, não estamos fazendo nosso dever. Explico. O dever, as obrigações dos cidadãos numa democracia são muitas, e são todas muito relacionadas com participar de todo e qualquer processo ou ação que impacte na nossa vida e nas dos demais habitantes, por exemplo:

1. Votar
2. Ajudar aos mais pobres
3. Ensinar algo que a gente saiba a quem não sabe
4. Proteger as pessoas que precisam de ajuda, tipo, criancinhas perdidas ou abandonadas, pessoas velhas, doentes ou fragilizadas, aqueles que se machucam no meio da rua
5. Manter a propriedade pública viável a todos. Aqui se inclui não jogar lixo na rua (nem pela janela do carro), pegar a caca de seu cachorro, não obstruir o caminho dos demais passantes (pedestres ou carros), não rabiscar as paredes das casas dos outros ou de edifícios públicos

6. Dirigir de uma maneira que respeite o direito dos demais de compartilhar com você a via pública, o que inclui andar na velocidade permitida (não muito abaixo nem muito acima), sinalizar quando for mudar de faixa ou virar, usar as faixas adequadamente (esquerda para ultrapassagem, direita para marcha mais lenta); não estacionar onde não é permitido; não dirigir alcoolizado ou sob influência de drogas para não arriscar a vida dos outros cidadãos, manter seu carro de maneira a não soltar muita fumaça que polua o pulmão das outras pessoas ou mesmo impeça a visão dos outros; não parar o carro no meio da rua para conversar com os amigos impedindo o fluxo do tráfego; etc.

7. Não gastar recursos que são de todos (tipo, esbanjar água lavando calçada, puxar eletricidade ilegalmente)

8. Inclui enfim qualquer ato ou omissão que prejudique ou atrapalhe os direitos das outras pessoas. Aquela frase sábia: “a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”, é um jeito simples e ao mesmo tempo profundo de exemplificar cidadania.

De qualquer maneira que se olhe, cidadania implica accountability. Accountability é uma palavra da língua inglesa, que não tem tradução exata em Português, mas que significa a obrigação de prestar contas, de ser responsável pelo que nos comprometemos ou dizemos que vamos fazer. A Wikipedia menciona “responsabilização” como um possível significado, e sugere que accountability é uma palavra que se refere a um conceito ético ligado à responsabilidade social (que todos nós temos), incluindo a obrigação de informar e explicar aquilo que fazemos na interface pública. Vou sugerir que accountability possa se aproximar de fato do significado de “responsabilidade”. Ser “accountable” então é ser responsável pelos seus atos, responder por eles.

Parece grande, não é? Parece uma tarefa imensa, muito trabalho, ser cidadão. Permitam-me sugerir um lugar para começarmos: vamos evitar largar carrinhos de compras em estacionamentos, no meio dos carros (e atrapalhando-os). Que tal se procurarmos levá-los até um canto, onde não atrapalhem a manobra de ninguém, o entrar e sair dos carros e o movimento deles nos estacionamentos da vida. Não largá-los bem na frente (ou atrás) de um outro carro. Não ligar o “dane-se” que alguém não vai conseguir manobrar com nosso carrinho bem na frente. Não. Refiro-me a ser “accountable” pelo nosso gesto completo. Ser cidadão. Pelo menos nisso. Mesmo que isso implique em andar mais um pouco. É pouco, é quase que pueril, mas pode ser uma semente de cidadania que estamos plantando. É um jeito de pensarmos como uma comunidade, como um grupo de cidadãos compartilhando espaço, direitos e deveres uns com os outros. É um pequeno passo....mas pode ser o primeiro de muitos e maiores.

domingo, 22 de agosto de 2010

Onde estão os bons?

Impossível não continuar falando de política nessa fase. Desculpem a overdose. Falta pouco para as eleições, e esse é o momento para quem sabe, através de saturar os sentidos, regurgitar serenas decisões para o momento da urna.

Que momento esse, não? Que nome pôr? Quem se salva? Lembro-me de uma eleição – em 1986, uma das primeiras abertas no final da ditadura - quando Antônio Ermírio de Morais foi candidato ao governo do Estado de São Paulo. Eu sempre confiei nele. Achava-o um desses baluartes brasileiros de integridade e eficiência, alguém que tem muito a – e pode - contribuir para trazer o país ao desenvolvimento que ainda acho ser sua vocação. Mesmo considerando o fato dele ser um empresário, o que sem dúvida o coloca dentro do grupo que precisa fazer e aceitar algumas iniqüidades para sobreviver, ainda assim suas declarações foram sempre brutalmente honestas, do tipo “doa a quem doer”, sérias, responsáveis, cívicas (essa é a palavra!) de alguém que não precisava agradar ninguém. E mesmo assim – sem precisar agradar ninguém - suas indústrias progrediam e ele multiplicava empregos aos seus concidadãos. Em entrevistas daquela época, o Ermírio não se esquivava de compartilhar a bandalheira que era o jogo político. Para minha tristeza ele perdeu aquelas eleições para Orestes Quércia, e São Paulo perdeu o governador que merecia.

Tem sido assim, uma sequência de decepções a história política brasileira com raríssimas exceções. Fiquei muito orgulhosa, por exemplo, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente do Brasil. Estava fora do país nessa época, e vivia na pele o preconceito contra nossa cultura populista, relaxada, a cultura da bebidinha, da prainha, do sambinha, das mulheres eternamente seminuas retratadas nas praias brasileiras, a cultura dos brasileiros sempre atrasados, sempre dando e pedindo “um jeitinho”, a nossa política sempre pendendo, saindo de, ou quase entrando numa ditadura... De repente temos um professor doutor na presidência, alguém que causou ótima impressão no Exterior, e elevou a confiança dos estrangeiros no Brasil. O homem que plantou todas as sementes e os programas que o analfabeto atual se apropriou desavergonhadamente, enquanto carrega o Brasil para a humilhação pública internacional ao se aproximar de ditadores, assassinos travestidos em governantes (Hugo Chavez, Fidel Castro, e Ahmadinejad, entre outros).
Agora de volta ao Brasil, preparando-me para votar após quinze anos de ausência, pergunto-me onde estão aqueles conterrâneos que elegeram Fernando Henrique? Deve ter tido alguém com bom senso então. Claro que então havia um candidato, ao contrário de agora quando, tirando do páreo desde já a pilantra da Dilma, dá medo de que o Serra possa estar imerso além da salvação no jogo das fantasias e comprometimentos políticos, a Marina tadinha, pouco pode prometer ou fazer com seu discurso verde comprometido com uma religião de grande tendência manipuladora, enquanto o Plínio vem com aquele discurso amalucado comunista...não sobra ninguém.

Pois aqui vai uma sugestão: e se todos nós, com bom senso no coração, votássemos no Fernando Henrique? Que importa ele não ser candidato? Talvez se todos votarmos nele mostraremos que ainda existem mentes críticas e independentes no Brasil, ainda existem aqueles que acreditam na decência, na educação, no preparo, na visão de fundo, naquele que foi o melhor presidente que tivemos até agora. Mostraremos que não somos bobos, manipuláveis marionetes, que não temos que nos conformar com cafagestagem. Não estou dizendo que o Fernando Henrique foi perfeito. Mas chegou perto.

Pronto. Taí! Está lançada a candidatura popular do Fernando Henrique Cardoso. Meu voto é seu, professor!

sábado, 21 de agosto de 2010

Eu e a política

(Post nascido de um diálogo com a Dai sobre esse blog)

O que mata nos militantes políticos em geral é a falta de sobriedade:
Vê-se em dúzias de blogs por aí aquele tom deslumbrado, ufanista, chato, pior que os romances mela-cueca de novela mexicana: o militante trata o político "bola da vez" como se fosse um semi-deus, seus marqueteiros como arcanjos, e por aí vai.


Eu não assisti a propaganda eleitoral. Pode parecer coisa de gente elitista e de mente pequena, mas sinceramente, horário eleitoral, via de regra, é coisa pra fazer a cabeça de semi-analfabeto. É para quem não lê os jornais todos os dias ao longo de anos, nem acompanha o desenrolar político do país entre os meses de outubro dos anos pares, visando inclusive consolidar uma opinião de verdade sobre quem governa ou não essa terra de bananas.

Eu imagino o tom de "apelação" adotado pela maioria absoluta dos candidatos. Ou é a tradicional previsibilidade da época, ou sou eu adquirindo poderes especiais para adivinhar o que acontece dentro da caixinha preta que me recuso a ligar para outra coisa que não ver meus filmes ou jogar video game. Além do mais, minha antipatia pelo partido de situação é pública e notória.


Minha bronca com o PT é pela cara lavada. Como disse Jabor no texto "Os Grandes Arrepios": Lula se apropriou dos feitos de FHC. Numa espécie de mitomania esquizofrênica, e no melhor estilo de Joseph Goebbels, Lula repetiu sua versão mentirosa e maquiada dos fatos por sete anos, até que o povão a visse como verdade.

Nesse caso, não diferente de tantos outros nos quais os Maluf's da vida se elegem e reelegem (tendo ainda a capacidade de vir a público dizer "não há ficha no Brasil mais limpa que a minha"), conta-se muito com a memória curta do brasileiro - que mandou em 2006 ao Senado Federal o mesmo Fernando Collor de Mello que foi enxotado da Presidência da República em 1992;  que elege famílias inteiras de Sarneys, Rorizes e Magalhães, ou quando não elege, mantém-se passivo quando um desses usurpa o poder (como fez a Governadora Roseane recentemente).

Se não se lembram de quem é Fernando Collor, não me admira que também não se lembrem do outro Fernando. O que me causa estranheza é justamente a rejeição ao Fernando errado.

Se houvesse essa atenção à história, como o senhor do biscoito fino (huhu) andou declarando, certamente o presente seria diferente. Não me oponho à luta armada contra a ditadura, são os métodos apenas que me deixam apreensiva. Creio que é possível o uso da força, em alguns casos, até mesmo necessário. O que reprovo é a falta de discernimento. O mesmo discernimento que faltou aos católicos na lamentável "Marcha da Família com Deus para a Liberdade", faltou aos socialistas radicais em toda a sua existência.

Do longo trajeto da militância à rampa do Palácio do Planalto, não foi só a sobriedade etílica que faltou ao Lula e seus caporegimes. Faltou a sobriedade ética. Faltou ser razoável. O pensamento de que o Presidente da República pode fazer e dizer tudo o que quiser deveria ter morrido junto do regime militar, por se tratar de um conceito de insensatez gigantesca, e característico de um raciocínio ditatorial. Infelizmente, não é o único ponto no qual Luiz Inácio se aproxima daquilo que dizia combater.

A história mostra que a esquerda hoje sentada na cadeira mais alta de Brasília não é muito diferente da esquerda de Pyongyang ou Havana, nas cadeiras mais altas de países tão "república" no nome quanto o Brasil. Aqui havia a oposição ao governo militar, mas diante da oportunidade de uma transição para a democracia, deixaram de apoiar a única possibilidade de libertação porque o candidato não seria o deles.

O tempo mostra que a oposição ferrenha a Sarney, Collor, Calheiros, e tantos outros, se deu apenas porque os "picaretas com anél de doutor" não reservaram ao metalúrgico uma cadeira também. Com uma pequena bola de cristal, todos os poderosos de décadas atrás teriam dissolvido a esquerda brasileira oferecendo a Lula, José (que também virou Zé) Dirceu, Palocci, e tantos outros, algumas cadeiras em estatais, na câmara e no senado, e lhes antecipando o mensalão.

Vivemos em um país patético, que faz juz a todos os ditados que cria: "Todo político rouba", "Quem nunca comeu melado quando come se lambuza", "Todo mundo tem um preço", "O poder corrompe o homem", e assim por diante.

É lamentável.
Quando me deparo com esses fanáticos petistas, que são tão cegos e irredutíveis quanto os evangélicos neo-pentecostais e os defensores de linux, eu perco a fé na humanidade.

São todos casos perdidos, e só resta aos mais razoáveis lamentar pelos errantes serem numerosos o suficiente para manter nosso reino de enganados na lama da corrupção e ignorância.

Enquanto isso o "país do futuro", como sempre, vai ficando pra amanhã.

sábado, 7 de agosto de 2010

Sobre a Corrupção e o Poder

Falarei aqui sobre o caráter dos indivíduos e sobre o moralismo arraigado na cultura nacional.
Quando surge a palavra "corrupção", lembramos daqueles políticos safados que vêm a Brasília de terça a quinta-feira realizar uma encenação "pra brasileiro ver", supostamente decidindo o futuro da nação e discutindo assuntos de interesse público. Para a conveniência dos homens comuns, associamos a corrupção aos poderosos e seus círculos de relacionamento. No entanto, "corrupção" é uma palavra que partilha sua origem com "corromper". Talvez daí venha o famoso e infame ditado: "O poder corrompe". 

Será?

Do alto de nosso chauvinismo e confortavelmente acomodados em nossa moralidade, reservamos a sujeira aos senhores engravatados, muitas vezes distantes de nossa realidade cotidiana, e dizemos que eles, talvez antes pessoas "de bem", seduzidos pelo poder se tornaram novos seres, de índole duvidosa e muitas vezes dispostos a barganhar qualquer coisa e utilizar toda sorte de recurso em benefício próprio. Há ainda aqueles que, para alívio de consciência, dizem que todo mundo tem um preço, o que, na prática, seria dizer "eu no lugar dos corruptos, caso fosse bem pago, faria o mesmo, e qualquer um no meu lugar faria o mesmo".

Em contra partida, na cultura pop, existe o não muito divulgado "Code of the Sith", do universo expandido de Star Wars. Escrito por Darth Bane, um Lord Sith calejado pela vida o suficiente para se tornar um sético, o Código dos Sith mostra uma visão muito mais honesta sobre a relação entre o indivíduo e o poder:

 A paz é uma mentira, existe apenas a paixão.
Através da paixão, adquiro força
Através da força, adquiro poder
Através do poder, alcanço a vitória
Através da vitória, minhas correntes se partem.
A força me libertará.

 Paixão (passion), no caso, não se refere à afetividade, mas à busca de um objetivo com afinco, motivação, vontade: se há paixão no indivíduo para buscar uma determinada coisa/objetivo, ele consegue a força para fazê-lo, e assim segue o raciocínio do Código. Então, vem a comparação: de acordo com o ditado, o poder corrompe; de acordo com o Código Sith, o poder liberta. Ulysses Guimarães sabiamente disse que "O poder não corrompe o homem. O homem corrompe o poder".
Então, será que o poder de fato corrompe, ou os grilhões partidos pela vitória seriam justamente a imagem pública, moldada para ocultar um caráter torpe e sem princípios?

Será que aquele colega de trabalho "gente boa" foi corrompido após a promoção e se tornou outra pessoa, ou após ser revestido por algum poder deixou para trás a imagem cuidadosamente esculpida enquanto estava um degrau abaixo? Não há a corrupção, mas a liberdade da máscara de subalterno, a evidência da verdadeira índole. Na segurança do poder, do mandar, desmandar, influenciar e decidir, o indivíduo se desprende das articulações necessárias anteriormente.

Na tendência universal de preferir culpar um mal invisível a admitir nossas próprias falhas, nós, as pessoas, nos cercamos de falsos conceitos, dizendo que não, nosso caráter não é ruim, mas as circunstâncias o modifica. Transformamos situações em males invisíveis, vilões, nos eximindo de toda e qualquer culpa. Transferimos ao imaginário a responsabilidade por nossas falhas, sujeiras, e nosso "lado negro". Lado negro, aquele, que se torna claro e ativo num primeiro momento de segurança.

Criamos muletas, escudos e esconderijos. Classificamos toda a humanidade como volúvel , para justificar uns e outros. Ao final, dizemos que somos todos feitos de uma mesma farinha rala e fraca, ignorando os exemplos gritantes de homens bons e justos que, ao contrário de outros, não corromperam o poder, nem se colocam em situação de vítima numa falta de vergonha gritante.


Os bons, os justos e os corretos nativos, e não por imposição circunstancial: por que colocá-los no saco dos que se vendem? Por que nos encolhemos e acatamos como verdades as desculpas esfarrapadas? Seria para justificar a preguiça da massa de buscar a mudança? A nossa própria preguiça?

Para finalizar, um verso de Tom York:

"When I am king you will be first against the wall"
"Quando eu for rei você será o primeiro contra a parede"